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A Desfolhada

Mais que uma tarefa agrícola, a Desfolhada é uma festa!

As tradições são parte importante na identidade e na cultura de um povo. Preservar as memórias das festividades ajuda a valorizar a nossa identidade coletiva.

Apesar de já ser uma tarefa agrícola muito rara no nosso país, a Desfolhada é uma memória que urge manter. Neste ano, 2021, no dia 19 de outubro, recuperámos estas memórias!

Após colherem algumas maçarocas, na “eira” da Quinta, as crianças dispõem-se em redor do monte de milho e fazem a desfolhada, separando as camisas das maçarocas. No fim, como "recompensa" do trabalho árduo, provam bolinhos de milho, feitos nos nosso forno a lenha!

Tradicionalmente, mais que uma obrigação, a Desfolhada era um momento de festa e diversão. Realizada à noite, a Desfolhada ou escamisada consistia no ato de retirar a palha ou folhelho à maçaroca, utilizando um “esfolhador” feito de ferro, osso ou madeira.

Depois de ceifado, o milho era levado para a eira do agricultor que convidava familiares, vizinhos e amigos para o trabalho de descamisar. Criava-se, assim, um momento não só de trabalho, mas de convívio entre todos, com cantares e dançares ao som da concertina, da viola e do cavaquinho. Terminada a desfolhada, o agricultor oferecia aos convidados uma merenda rica e dava início ao bailarico, que durava, por vezes, até ao nascer do sol.

À Desfolhada estava, também, associado um ritual: quando alguém encontrasse o milho rei (maçaroca com os grãos vermelhos), todos os participantes gritavam “milho-rei”. Se fosse encontrado por uma rapariga, dava um beijo a todos os presentes, se fosse por um rapaz, dava um abraço ou podia escolher a rapariga a quem dava o beijo.

Esta é uma das manifestações que quase desapareceram da vida rural, mantendo-se viva, apenas, nas memórias dos mais antigos. É essencial preservar e valorizar o nosso património sociocultural e é, por essa razão, que não deixamos de assinalar a Desfolhada, todos os anos, nas festividades da nossa Quinta.

Cantigas das desfolhada

Tomara já que viesse,

O tempo das desfolhadas,

Que me dão as raparigas,

Quatro castanhas assadas.

 

Fui ao serão do vizinho,

Esfolhei duas espigas;

Não fui lá p’ró ajudar,

Fui p’ra ver as raparigas.

 

O milho, nas desfolhadas,

Quantas vezes é traidor;

As espigas encarnadas

São os correios do amor.

 

A desfolhada sem milho-rei,

A desfolhada sem milho-rei,

Ai, se não fosse o milho-rei,

Como seria não sei!